Cólon e reto

Doença inflamatória intestinal: Crohn e retocolite

A doença inflamatória intestinal (DII) é um grupo de doenças crônicas em que o intestino fica inflamado — as principais são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. São doenças que têm tratamento e, com acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes mantém os sintomas sob controle e leva uma vida normal.

Crohn x retocolite ulcerativa

As duas são formas de doença inflamatória intestinal, mas têm diferenças importantes:

  • Doença de Crohn — pode afetar qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao ânus, e costuma atingir a parede do intestino em profundidade. A inflamação pode aparecer "em trechos", com áreas doentes e áreas saudáveis entre elas.
  • Retocolite ulcerativa — afeta o cólon e o reto de forma contínua e mais superficial, atingindo principalmente a camada interna do intestino grosso.

Distinguir uma da outra orienta o tratamento e o acompanhamento, e nem sempre é imediato — às vezes é preciso reavaliar ao longo do tempo.

Sintomas

  • Diarreia crônica, que persiste ou volta em surtos.
  • Sangue nas fezes, às vezes com muco.
  • Dor abdominal, muitas vezes em cólica.
  • Urgência para evacuar e sensação de evacuação incompleta.
  • Perda de peso sem explicação.
  • Cansaço e sensação de fraqueza.

Diagnóstico

O diagnóstico junta a história dos sintomas com exames. A colonoscopia com biópsias é central, pois permite ver a inflamação por dentro do intestino e confirmar o padrão da doença. Exames de imagem e de sangue completam a avaliação, ajudando a definir a extensão da doença e a acompanhar a resposta ao tratamento.

Tratamento e o papel do coloproctologista

O acompanhamento da DII é multidisciplinar. O tratamento se apoia em medicamentos que controlam a inflamação e mantêm a doença em remissão — e, em boa parte dos casos, eu mesmo faço esse controle clínico com as medicações. Nos casos mais delicados ou de maior complexidade, conduzo o acompanhamento em conjunto com o gastroenterologista clínico, somando os dois olhares em favor do paciente.

Como cirurgião, também atuo nos momentos em que a cirurgia entra em cena: nas complicações da doença, quando o quadro não responde ao tratamento clínico ou quando há indicação bem definida. Mas vale deixar claro que a cirurgia não é o primeiro passo nem o único papel do coloproctologista — o cuidado é contínuo, do controle clínico ao acompanhamento a longo prazo.

Acompanhamento a longo prazo

A DII de longa data, principalmente quando afeta o cólon, aumenta o risco de câncer de cólon. Por isso existe uma vigilância com colonoscopia periódica, feita em intervalos definidos pelo médico. Esse acompanhamento permite observar o intestino ao longo do tempo e agir cedo se algo mudar.

Quando procurar com urgência

Procure atendimento imediato se houver dor abdominal intensa, febre, sangramento importante, distensão do abdome (barriga muito inchada e tensa) ou incapacidade de se alimentar. Esses sinais podem indicar uma complicação e pedem avaliação em pronto-socorro.

Perguntas frequentes

Doença inflamatória intestinal tem cura?
A DII é crônica. Hoje o objetivo do tratamento é controlar a inflamação e manter a doença em remissão por longos períodos. Com acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes leva uma vida normal, com os sintomas sob controle.
Vou precisar de cirurgia?
Nem todo paciente precisa. O tratamento começa pelos medicamentos, conduzidos com a gastroenterologia. A cirurgia entra nas complicações, na doença que não responde ao tratamento clínico ou quando há indicação bem definida — não é o primeiro passo.
DII é a mesma coisa que síndrome do intestino irritável?
Não, são coisas diferentes. A síndrome do intestino irritável não causa inflamação nem lesão no intestino. Já a doença inflamatória intestinal tem inflamação real, que aparece na colonoscopia e nas biópsias. Os nomes se parecem, mas o quadro e o tratamento não.
Posso ter uma vida normal com DII?
Sim. Com acompanhamento regular e a doença sob controle, a maioria dos pacientes trabalha, estuda, viaja e mantém a rotina. O importante é não interromper o tratamento por conta própria.
A DII aumenta o risco de câncer?
A DII de longa data, sobretudo no cólon, aumenta o risco de câncer de cólon. Por isso há vigilância com colonoscopia periódica, que permite acompanhar o intestino e tratar cedo o que for necessário.
Conteúdo escrito e revisado por Dr. Pedro Averbach, médico coloproctologista — CRM-SP 191335 | RQE 102297. Última revisão: julho de 2026.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) — orientações ao paciente.
  2. Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO) — doença inflamatória intestinal.
  3. American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS) — Inflammatory bowel disease.

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