Cólon e reto

Doença diverticular e diverticulite: o que é e tratamento

Divertículos são pequenas "bolsas" que se formam na parede do intestino grosso. São muito comuns com o avançar da idade e, na maioria das vezes, ter divertículos (a chamada diverticulose) não causa sintoma algum. O problema aparece quando um desses divertículos inflama: é a diverticulite.

Diverticulose x diverticulite

A diferença é simples. Diverticulose é apenas a presença dos divertículos no intestino — algo comum e, em geral, sem sintomas, muitas vezes descoberto por acaso em um exame. Diverticulite é quando um divertículo inflama (e às vezes infecciona), provocando dor e outros sintomas. Ou seja: ter divertículos não é a mesma coisa que estar com diverticulite.

Sintomas da diverticulite

  • Dor abdominal — tipicamente no lado esquerdo e na parte baixa do abdome.
  • Febre.
  • Alteração do hábito intestinal (prisão de ventre ou diarreia).

Sangramento diverticular: uma situação diferente

Além de inflamar, um divertículo também pode sangrar — e isso é uma apresentação distinta da diverticulite, não um sintoma dela. O sangramento diverticular costuma ocorrer sem dor e sem uma crise inflamatória associada: a pessoa percebe a eliminação de sangue vermelho pelo ânus, por vezes em quantidade volumosa. É uma das causas mais frequentes de sangramento importante do intestino grosso, sobretudo em pessoas mais velhas.

Na maioria dos casos o sangramento para sozinho. Mas, por poder ser volumoso, exige avaliação — às vezes com internação, colonoscopia para localizar e tratar o ponto que sangra e, mais raramente, outras intervenções. Sangramento intenso é situação de pronto-socorro.

Como se trata?

O tratamento depende da gravidade. Nas crises leves, o cuidado costuma ser clínico: repouso intestinal (dieta mais leve por alguns dias), hidratação e, quando indicado, antibiótico — a decisão sobre o antibiótico é individualizada pelo médico.

Em casos complicados ou que se repetem, pode ser necessário considerar a cirurgia. A indicação é sempre individual, discutida caso a caso. De forma geral, a cirurgia eletiva — programada, fora da fase aguda — é avaliada quando há:

  • Crises de repetição — pesam tanto o número de episódios quanto o intervalo curto entre eles;
  • Dor ou desconforto que persiste entre as crises, afetando a qualidade de vida;
  • Episódios prévios com complicação, como abscesso, perfuração ou fístula;
  • sempre pesando o risco da própria cirurgia conforme a idade e as condições de saúde de cada paciente.

Já a cirurgia de urgência fica reservada às complicações agudas — perfuração, abscesso que não se resolve ou obstrução.

Prevenção

Alguns hábitos ajudam a manter o intestino saudável: uma dieta rica em fibras (frutas, verduras, legumes e integrais), boa hidratação ao longo do dia, atenção aos hábitos intestinais (evitando a constipação) e atividade física regular.

É preciso ser honesto sobre o alcance dessas medidas: embora recomendadas, elas têm eficácia apenas pequena a moderada em prevenir novas crises. Não existe hoje uma forma realmente eficaz de impedir que a diverticulite volte — e é justamente por isso que, nos casos de repetição, a cirurgia eletiva passa a ser considerada.

Quando é urgência

Procure um pronto-socorro se houver dor abdominal intensa, febre alta, distensão (barriga muito inchada e endurecida), parada da eliminação de fezes e gases, ou sangramento volumoso. Esses sinais podem indicar uma crise complicada e precisam de avaliação imediata.

Por que a investigação importa

Os sintomas da diverticulite podem se confundir com os de outras doenças, inclusive o câncer de cólon. Por isso, a investigação é importante: em geral, alguns semanas após a crise, indica-se a colonoscopia para confirmar o diagnóstico e afastar outras causas. O momento certo do exame é definido na consulta.

Perguntas frequentes

Diverticulite tem cura?
A crise, quando tratada, costuma se resolver. Mas os divertículos não desaparecem: quem os tem continua com eles. O foco é tratar a crise e adotar hábitos que reduzam a chance de novos episódios.
Quem tem divertículo precisa operar?
Não. A maioria das pessoas com divertículos nunca terá sintomas e não precisa de cirurgia. A operação é considerada em situações específicas, como complicações ou crises repetidas, sempre avaliadas caso a caso.
Posso comer sementes e grãos?
A antiga recomendação de evitar sementes, grãos e castanhas não se confirmou nos estudos mais recentes. Em geral, não precisam ser proibidos. O mais importante é uma dieta rica em fibras e boa hidratação.
A diverticulite volta?
Pode voltar. Algumas pessoas têm apenas uma crise na vida; outras têm episódios repetidos. Dieta com fibras, hidratação e hábitos intestinais saudáveis ajudam a reduzir esse risco.
Preciso de colonoscopia?
Em geral, sim — após a crise. A colonoscopia é feita semanas depois da fase aguda para confirmar o diagnóstico e afastar outras causas, como o câncer de cólon. O momento é definido na consulta.
Conteúdo escrito e revisado por Dr. Pedro Averbach, médico coloproctologista — CRM-SP 191335 | RQE 102297. Última revisão: julho de 2026.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) — orientações ao paciente.
  2. American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS) — Diverticular disease.
  3. American Gastroenterological Association (AGA) — Diverticulitis.

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