Doenças anorretais

Abscesso e fístula anal

Abscesso e fístula anal são duas fases de um mesmo problema. O abscesso é uma infecção aguda — uma coleção de pus perto do ânus — que causa dor intensa e precisa ser drenada cirurgicamente, com urgência. A fístula é um túnel que pode se formar depois, ligando o interior do canal anal à pele, com secreção que não passa — e cujo tratamento é cirúrgico.

Abscesso anal: a fase aguda

Por que ocorre? A maioria dos abscessos anais começa na infecção de pequenas glândulas do canal anal (as glândulas anais). Quando o canal de uma dessas glândulas entope, formam-se o acúmulo e a infecção que evoluem para a coleção de pus. O quadro surge de forma relativamente rápida, com:

  • Dor anal intensa, latejante e contínua, que piora ao sentar;
  • Inchaço, calor e vermelhidão na região ao redor do ânus;
  • Às vezes febre e mal-estar.

O tratamento é cirúrgico: a coleção precisa ser drenada — um procedimento feito com anestesia, que alivia rapidamente a dor. Antibiótico isolado, sem drenar, em geral não resolve, e adiar a drenagem apenas piora o quadro.

Fístula anal: a fase crônica

Depois de um abscesso — drenado espontaneamente ou por cirurgia —, parte dos pacientes desenvolve uma fístula: um trajeto que mantém uma comunicação anormal. Os sinais são:

  • Secreção persistente (pus ou líquido) por um pequeno orifício na pele perto do ânus;
  • Desconforto e episódios de inchaço que vão e voltam;
  • Às vezes, novos abscessos de repetição.

A fístula não fecha sozinha: o tratamento é cirúrgico. As fístulas têm trajetos diferentes — algumas são simples e superficiais; outras são mais complexas e atravessam parte da musculatura do esfíncter (o músculo responsável pela continência). Por isso a técnica é escolhida caso a caso, sempre com o objetivo de curar a fístula preservando a continência.

Nas fístulas mais complexas, pode ser necessário mais de um procedimento para resolver — por exemplo, a passagem de um fio (sedenho) que drena e “amadurece” o trajeto antes da correção definitiva. Isso é planejado e explicado com clareza desde o início: são etapas de um mesmo tratamento, e não uma falha.

Dor anal intensa com inchaço e febre: não espere

Esse quadro sugere um abscesso, que precisa de avaliação e drenagem sem demora. Procurar ajuda cedo alivia a dor rapidamente e reduz a chance de complicações.

Perguntas frequentes

Todo abscesso anal vira fístula?
Não. Parte dos abscessos, depois de drenados, cicatriza sem deixar fístula. Em outros casos forma-se o túnel (fístula), que aí precisa de tratamento cirúrgico. Só o acompanhamento define o que aconteceu em cada pessoa.
Dá para tratar o abscesso só com antibiótico?
Em geral, não. O tratamento do abscesso é a drenagem do pus; o antibiótico é um complemento em situações específicas, mas não substitui a drenagem. Por isso a avaliação precoce é importante.
A cirurgia de fístula afeta a continência?
O objetivo do tratamento é justamente resolver a fístula preservando o esfíncter e a continência. Por isso a técnica é escolhida com cuidado conforme o trajeto — e os riscos são sempre conversados antes.
Conteúdo escrito e revisado por Dr. Pedro Averbach, médico — CRM-SP 191335 | Coloproctologia, RQE 102297 | Residência em Cirurgia Geral pelo HC-FMUSP. Última revisão: julho de 2026.

Referências

  1. American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS) — Clinical Practice Guidelines for anorectal abscess and fistula.
  2. Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) — Orientações ao paciente.

Dor anal intensa ou secreção que não passa?

Abscesso e fístula têm tratamento — e quanto antes avaliados, mais simples costuma ser. Será um prazer ajudar.

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