Cirurgia geral · Parede abdominal

Diástase do reto abdominal

A diástase do reto abdominal é o afastamento dos dois músculos retos (o “tanquinho”) na linha do meio da barriga, por estiramento do tecido que os une. É muito comum após a gestação e também em quem ganhou muito peso. Não é uma hérnia — embora possa coexistir com uma hérnia umbilical —, e o tratamento começa quase sempre pela fisioterapia.

Como reconhecer?

  • Abaulamento no meio da barriga, mais evidente ao sentar-se ou fazer força (por exemplo, ao levantar da cama);
  • Sensação de fraqueza abdominal, às vezes com dor lombar ou desconforto ao esforço;
  • Contorno da barriga que “estufa” no centro.

Vale diferenciar de uma hérnia: na diástase, a parede está afinada e afastada, mas sem o orifício por onde o conteúdo se projeta como na hérnia. Essa distinção é feita no exame e, quando necessário, com um ultrassom.

Como se trata?

O ponto de partida é a fisioterapia, com fortalecimento do core e do assoalho pélvico — que melhora a função e os sintomas na maioria dos casos, especialmente no pós-parto, quando parte da diástase ainda regride naturalmente ao longo dos meses.

A cirurgia é considerada em casos selecionados — diástase grande e sintomática que não melhora com fisioterapia, muito incômodo funcional ou quando há uma hérnia associada a corrigir. Nesses casos, faço a correção por via robótica, sem abdominoplastia: os músculos são reaproximados e a parede é reforçada por dentro do abdome, com cortes mínimos. A abdominoplastia — retirada de pele e remodelação estética da barriga — é do campo da cirurgia plástica; quando esse é o objetivo, encaminho ao especialista.

Barriga que “estufa” no meio após a gestação

Na maioria das vezes é diástase, uma condição benigna. Mas um abaulamento localizado que endurece e dói pode ser uma hérnia — vale uma avaliação para diferenciar e definir o melhor tratamento.

Perguntas frequentes

Diástase abdominal é hérnia?
Não. Na diástase, os músculos retos ficam afastados e o tecido no meio da barriga fica afinado, mas sem o orifício por onde o conteúdo se projeta como na hérnia. As duas podem, no entanto, coexistir — por isso a avaliação é importante.
Exercício resolve a diástase?
A fisioterapia com fortalecimento do core e do assoalho pélvico é o tratamento inicial e melhora os sintomas na maioria dos casos. Em diástases grandes e sintomáticas que não respondem, a cirurgia pode ser considerada.
Preciso operar a diástase?
Na maioria das vezes, não. A cirurgia fica reservada a casos selecionados — diástase grande e sintomática sem melhora com fisioterapia, incômodo funcional importante ou quando há uma hérnia associada.
Conteúdo escrito e revisado por Dr. Pedro Averbach, médico — CRM-SP 191335 | Coloproctologia, RQE 102297 | Residência em Cirurgia Geral pelo HC-FMUSP. Última revisão: julho de 2026.

Referências

  1. Colégio Brasileiro de Cirurgiões — Orientações sobre parede abdominal.
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica — Diástase abdominal e abdominoplastia.

Notou afastamento ou abaulamento no meio da barriga?

A avaliação diferencia diástase de hérnia e define o melhor caminho — da fisioterapia à cirurgia, quando indicada.

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